THE KEEPER OF FLOCKS – XXXVI

And there are poets that are artists
And work on their verses
As a carpenter boards! …

How sad not knowing blossom!
Having to put verse on verse, as if constructing a wall
And make sure its good, and take it if it’s not!
When the only artistic house is Earth whole
Which varies and she’s always good and she’s always the same.

I think of this, not like those who think, as if breathing
And I look at the flowers and smile …
I do not know if they understand me
Not even if I understand them,
Yet I know the truth in them and in me
And in our common divinity
You must let yourself go and live across the land
And it could lead to, by the way, seasons content
And we’ll let the wind sing as we fall asleep
And let us not dream in our slumber.

 

David Scanlon – England – (1963 – )

Pessoa, F. (2018) Poems of Alberto Caeiro. In Portuguese and translated to English by David Scanlon. The Foolish Poet Press, Wilmslow, Portugal. THE KEEPER OF FLOCKS - XXXVI. Page Number 99.

E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!…
 
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!…
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
 
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.
E olho para as flores e sorrio…
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa – Portugal – (1888 - 1935)

Caeiro, A. (1914)[1946] ”O Guardador de Rebanos”  In Poemas de Alberto Caeiro (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Ática: Lisboa.

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