PERHAPS THOSE WHO SEE WELL AREN’T SUITABLE TO EXPERIENCE

Perhaps those who see well aren’t suitable to experience
And do not like to be a great deal ahead of the habits.
You need to have habits for all the things,
And every thing has its habits and so does love.
Whoever has the habit of seeing the fields and grass
Must not have blindness to what you are doing that makes you feel.
I love, and I wasn’t loved, which I only saw in the end,
Because you are not loved as it is born but as it happens.
She is still so pretty of hair and mouth as before,
And I continue like before, alone in the field.
As I’ve been with a bowed head,
Thinking that, and I get my heart high
And the golden sun dried the urge to tears that I cannot help but have.
The field is vast and the love interior…!
I look, and forget, drought where there was water and the trees defoliate.

I cannot speak because I’m feeling
I’m listening to my voice like it is from another person
And my voice speaks through her as if it is she who speaks.
There’s the hair of a laurel amber clearly the wheat in the sunshine,
And her mouth when talking of things they aren’t just words.
Smiling, and my teeth are cleaned like stones of the river.

 

David Scanlon – England – (1963 – )

Pessoa, F. (2018) Poems of Alberto Caeiro. In Portuguese and translated to English by David Scanlon. The Foolish Poet Press, Wilmslow, Portugal. PERHAPS THOSE WHO SEE WELL AREN’T SUITABLE TO EXPERIENCE. Page Number 12.

Talvez quem vê bem não sirva para sentir
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior…!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.

Eu não sei falar porque estou a sentir.
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.
Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,
E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.
Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa – Portugal – (1888 - 1935)

Caeiro, A. (1929)[1994] ”O Pastor Amoroso”  In Poemas Completas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.). Presença: Lisboa.

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