THE KEEPER OF FLOCKS – XLVIII

From the highest window in my house
With a white scarf I say goodbye
To my poetry as it departs to humanity.

And I am not happy or sad.
This is the destiny of my poetry.
I wrote them and must share them with everyone
Because I cannot do otherwise
Like the flower cannot hide the colour,
Nor the river conceal that it flows,
Not the tree hide that it gives fruit.

Then they walk far away, like on a coach,
And I, without wanting to, I feel bad with
An ache in my body.

Who knows who will read them?
Who knows what hands are going to touch them?

Flowers, picked from me by fate through seeing.
Trees, pulled from me as fruits from my mouth.
Rivers, a destiny from water could not stay in me.
I submit and I feel almost happy.
Almost happy as one tired of being sad.

Go, go, from me!
Pass the tree and keep dispersed in Nature.
The flower wilts but the dust lasts forever.
The river runs and enters the sea and the water is always the one that was.

Step close now and stay, like the Universe.

 

David Scanlon – England – (1963 – )

Pessoa, F. (2018) Poems of Alberto Caeiro. In Portuguese and translated to English by David Scanlon. The Foolish Poet Press, Wilmslow, England. THE KEEPER OF FLOCKS - XLVIII. Page Number 59.

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide, de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa – Portugal – (1888 - 1935)

Caeiro, A. (1914)[1946] “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Ática: Lisboa. (10ª ed). Alberto Caeiro is an heteronym of Fernando Pessoa.

Work is no longer protected by copyright.

Print Friendly, PDF & Email
This entry was posted in David Scanlon (Translations), Fernando Pessoa, Poetry, Translation and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink.