War, which afflicts the world with its squadrons,
It is a perfected kind of philosophical error.

War, like everything human, we want to change
But war, more than anything else, wants to alter and change everything
And alter it rapidly.

But war inflicts death.
And death is the disregard of the universe by us.
Having as a consequence death, war proves that it is false.
Being false, it is evidence of the falsehood in all that want-to-alter.

Let’s leave the universe outside and leave other men where nature puts them.

Everything is pride and unconsciousness.
Everything wants to move, do things, leave a trail.
In the heart of the commander of squadrons
He desires to return in pieces the universe beyond him.

The chemistry directly from nature
Leaves no room open to thought.

Humanity is an uprising of slaves.
Humanity is a government usurped by the people.
It exists because it has usurped, but wrong because usurping is to not have rights.

Let exist the outside world and our natural humanity!
Peace to all pre-human things, even amongst mankind,
Peace to the entire essence laying outside of our universe.

David Scanlon – England – (1963 – )

Pessoa, F. (2018) Poems of Alberto Caeiro. In Portuguese and translated to English by David Scanlon. The Foolish Poet Press, Wilmslow, Portugal. WAR WHICH AFFLICTS THE WORLD WITH ITS SQUADRONS. Page Number 25.

A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem,
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa – Portugal – (1888 - 1935)

Caero, A. ; (1917)[1993] ”Poemas Inconjuntos” Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luís de Montalvor.). Ática: Lisboa.

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