IF I DIE YOUNG

If I die young,
Without the power to be able to publish any book,
Without seeing the face which are my verses in lyric print,
I ask that, if one want to care for me,
Do not feel bad.
If this is what has happened, that way is right.

Even if my verses are never printed,
They will have her beauty, if they are beautiful.
But they cannot be beautiful and be unseen,
Because her roots are deep within the earth
And her flowers bloom with fresh air in plain sight.
She needs to be this way for power: nothing can prevent her.

If I should die too young, hear this:
I was always a child who teased.
I was a heathen like the sun and the water,
Of a universal religion that only man do not know.
I’m happy because I did not ask for one thing,
Nor have I tried to find anything,
Nor have I found that there was so much reason,
That the word reason does not make sense either.

I wanted nothing more than to be in the sun or the pouring rain –
In the sun when there was sun
And to the rain when it was pouring (It is never the other thing),
To feel hot and cold and wind,
And not go beyond.

Once loved I thought that I would love,
But it wasn’t love.
It wasn’t love for one great reason –
Because it didn’t have to be.

I consoled myself returning to the sun and the pouring rain,
To sit down again at the front of the house.
The countryside after all, is not as green for the those who are beloved
As for those that are not.
To feel is to be distraught.

 

David Scanlon – England – (1963 – )

Pessoa, F. (2018) Poems of Alberto Caeiro. In Portuguese and translated to English by David Scanlon. The Foolish Poet Press, Wilmslow, Portugal. IF I DIE YOUNG. Page Number 1.

Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa – Portugal – (1888 - 1935)

Caero, A.  (1925) Poemas Inconsultos.  Athena, No 5, Feb: Lisbon.

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